quinta-feira, 17 de julho de 2008

Guerrilha Aberta é bamba!

Dia 17 de julho de 2008! Está entrando no ar, a décima primeira edição da revista eletrônica Guerrilha Aberta. Nessa edição temos a entrevista exclusiva com Ana Luisa Cardoso, que no próximo dia 26 de julho estará comemorando 20 anos de sua palhaça Margarita, na lona de circo do Crescer e Viver, no estacionamento da Praça XV.

Além das entrevistas temos uma estréia, com nosso mais novo colunista: Luiz Carlos Manhães, com a coluna Dr. Boêmia. Doutor porquê ele realmente é um professor universitário da Universidade Federal Fluminense e boêmia porque é sua disciplina: "redes educativas na boemia musical", na própria UFF. Não estão acreditando, não é? Então leiam o artigo de estréia e tirem suas próprias conclusões!

Ainda em nossas tradicionais e bem transadas colunas, EstrelaDoce, com Dalva Beltrão traz a história de Heitor dos Prazeres; Galhofa com Leo Carnevale traz a notícia bombástica e reveladora sobre a sociedade mundial onde a Suprema Corte da Itália liberou o uso de maconha para Rastafáris e por fim, a coluna NotaPreta, onde Mauro Vianna traz uma entrevista com o compositor Djalma Souza da Silva, do Morro da Providência, entre bate-papos e samba!

A Guerrilha Aberta gostaria de fazer o primeiro repúdio de ser totalmente contra aprovação da proposta substitutiva ao Projeto de Lei da Câmara 89/2003, onde prevê mudanças generalistas do uso da internet no Brasil, transformando do dia para a noite, milhares de brasileiros em criminosos. A proposta segue o contrário de tendências mundiais e caracteriza interesses privados na alteração. No Brasil, onde roubar parece ser cada vez mais comum entre jogos políticos e de poder, a prática que fica na cabeça é o seguinte ditado: "Jogue seu computador fora e aprenda a roubar!". Brincadeiras a parte, fica o estado de injustiça e incompetência das autoridades, na alma.

Começando enfim, nossa AGENDA, nesta sexta-feira (18/07), o projeto Estrada 55 estará realizando a sua 48o edição, com entrada gratuita, em Campo Grande, das 16h as 22h, no Espaço Cultural Compositor Adelino Moreira, fazendo uma homenagem ao compositor, onde os grupos convidados tocam uma música do compositor, além de suas próprias composições. Ainda no mesmo dia, a estréia do espetáculo Troca de Plantão, uma Mostra de experimentações besteirológicas com os Doutores da Alegria do Rio de Janeiro, no Centro Cultural Carioca, a partir das 17h.

Próximo dia 01 de agosto, o Museu da República recebe jovens produtores à frente da Granes Quilombo, escola de samba fundada por Candeia, Wilson Moreira e Nei Lopes, às 19h.

Finalizando, a coluna Download, traz a indicação de um site que quem ainda não conhece, precisa conhecer: "O Overmundo".

Entrevista com Ana Luisa Cardoso

Nessa décima primeira edição da revista, entrevistamos a atriz, diretora, professora e palhaça Ana Luisa Cardoso. Ana Luisa é carioca, apesar dela mesmo dizer parecer gringa, por se dizer: "branca azeda". Segundo ela mesma, a profissão que escolheu foi de comunicadora. Apesar de ser séria, tem bom e mau humor e é totalmente fiel aos seus amigos, sonhos e princípios. "Tenho sorte de ter pais bacanérrimos que apoiaram a minha escolha e de viver na Cidade ainda Maravilhosa. Sou totalmente apaixonada pelo circo, gosto de pesquisar e tenho prazer de compartilhar o conhecimento, se não, não tem graça".
Com vocês: ANA LUISA CARDOSO!


Guerrilha Aberta: Há quantos anos você e dedica a palhaçaria? E como você começou a descobrir esse universo dos palhaços?
Ana Luisa Cardoso: Este ano celebro 20 anos! Nossa é tempo...E a "luta" não termina. O começo vem de assistir na minha infância, o palhaço Carequinha e os clássicos do Gordo e o Magro, Chaplin e Jerry Lews. Mas foi em Cuba num festival de teatro que vi pela primeira vez jovens atores como eu, fazendo um espetáculo de palhaços, o grupo era o argentino El Clú del Claun, ficamos amigos. Voltei com vontade de fazer algo parecido. A Intrépida Trupe também alimentou essa minha vontade com seus espetáculos e com os palhaços Xuxu, Dudu e o Geraldin, a Escola Nacional de Circo e o Circo Voador. Foi então que em 1988, fui para Buenos Aires fazer um curso com o El Clú. Voltei com a Margarita (esboço) e como uma amiga, a atriz Claudia Puget também experimentava o nariz vermelho, saíamos no seu Gordini vermelho pelas ruas do Rio. Foi um ótimo início...

Lembro que uma vez o Xuxu deu uma volta conosco; e um dia encontramos o Carequinha (sem a careca e o nariz), que nos deu a maior força! Desde então fiz cursos, comecei a dar aula, mas foi em 1991 quando organizei um curso com um ator do Clú del Claun aqui no Rio, que formou o grupo As Marias da Graça. Foram 10 anos de trabalho e de muitas realizações, foi uma época de muitas descobertas nossas e de muitos colegas. O Encontro Anjos do Picadeiro e os papos com Alice Viveiros são fundamentais para a minha formação. A separação com As Marias foi muito dolorosa para mim, mas necessária. Fiquei reclusa, continuei com minhas oficinas em projetos sociais e iniciei outro projeto: a pesquisa com melodramas de circo. E em 2006 com o premio Estímulo de Circo pude finalmente apresentar o meu projeto (antigo) de dramaturgia para uma palhaça com o espetáculo da Margarita, recheada dessas experiências e inspirada em tantos palhaços.


GA: Sua palhaça, Margarita vai a luta em espetáculo solo pelas ruas, que passa desde briga em ringue, arrumar e limpar as ruas e até procurar marido. Qual dessas representaria a sua luta diária e as lutas de tantas Margaritas pelo Brasil a dentro?
Ana Luisa: A minha luta é fazer diversão com a nossa luta diária brasileira. Durante este processo de criação encontrei (depois de 18 anos) o bordão:" Tá tudo errado!" pois é desanimador algumas notícias e o que passa a fazer parte do cotidiano no Rio e no Brasil, gritar este bordão no espetáculo para mim, é um desabafo! Mas também solto outro bordão depois dos risos: Coisa Bôa! Se é para representar alguma coisa, que seja lutar pelo que "Tá Tudo Errado" pois no fim tem "Coisa Bôa"!


GA: Como você a questão do universo do palhaço e do circo no Brasil? Você tem ainda uma oficina que trabalha com erro até o limite. Como começou esse processo de criar um processo para ensinar outros a serem palhaços?
Ana Luisa: Amplo, geral e irrestrito (rs)! Muita coisa está se (re) construindo, mas tem muito para fazer quanto à organização e dignidade do artista circense.
A minha oficina consiste em passar o que me foi útil, no meu aprendizado com mestres e experiência, para a comunicação com o público. Eu exercito a disciplina com o grupo estabelecendo 3 regras básicas dentro de um jogo que possibilita perder o medo do erro e mostrar que a idiotice é comum a todos. É errando que o palhaço vai longe, mas tendo consciência do erro, não sendo palhaço por acaso. Fico feliz de lecionar (comicidade) na Universidade da Cidade (RJ).
O processo começou na 2ª pergunta desta entrevista: na minha experiência de aprendiz. Ensinando eu aprendo muito.


GA: Qual seria na sua opinião, o pior entrave na cultura no Brasil, seja no circo, no Teatro. E qual foi as maiores vitórias que o circo-teatro já ganhou nos últimos anos?
Ana Luisa: O maior entrave é a falta de educação. Sem o conhecimento da cultura ficamos sem o livre arbítrio, o entretenimento de massa escraviza, traz o individualismo e idiotiza (no mau sentido). A educação traz a participação do indivíduo na sociedade, a responsabilidade, a sua escolha e posicionamento no mundo e na vida, limita com sentidos e emoção. Esta falta de educação sinto maior nas grandes cidades. Quando estive com a minha Cia. (dos Melodramáticos ) no Circo Teatro Biriba estagiando, pude perceber a importância do Circo numa cidade, a sociedade comparecia quase todos os dias aos espetáculos (1 peça diferente cada noite), rir junto agrega, é social e político. Confirmei isso também na temporada do Vida de Artista (espetáculo dirigido pela Alice Viveiros que tive a honra de estar na equipe) do Circo Crescer e Viver na Pç. XI.

A maior vitória? É a nossa, desta turma enorme que mostra arte circense pelas ruas e lonas do Brasil. Os inúmeros grupos e trupes que surgiram e confirmam cada ano a sua arte, as famílias resistentes com suas lonas, os grandes encontros realizados por grupos por todo o Brasil como o Anjos do Picadeiro, por exemplo, na sua 12º edição e que cresce a cada ano com mais participantes; lançamentos de livros sobre esta nobre arte e a união da classe e o conhecimento através das redes.


GA: Para você, o que é ser artista no Brasil?
Ana Luisa: É ir à luta todos os dias e de bom humor! Fim! UFA!

HA! Quero fazer um convite: a comemoração dos 20 anos da Margarita que será nos dias 25 e 26 de julho na Lona de Circo do Crescer e Viver. Gostaria que o público e os meus amigos, palhaços e palhaças que me ajudaram nesta "construção" fossem Celebrar a vitória que é nossa! Gracias!



SERVIÇO: 20 anos da Palhaça Margarita
Quando: 25 e 26 de julho às 19h
Onde: Lona do Crescer e Viver (R. Benedito Hipólito s/n - Praça XI
Ingresso: R$5,00

Dr.Boêmia: Malandragem, Patuscada e Boemia

Malandragem, Patuscada e Boemia: a produção cultural para além do trabalho...

Luiz Manhães


Considero a boemia como um estilo de vida caracterizado pela celebração da palavra, da vida compartilhada e da necessidade do diálogo. Enfim, como escola da vida, para se cumprir a vocação para o prazer.

Esta não é a definição comumente encontrada. Para iniciar esta pesquisa, fui buscar no dicionário o significado dado ao termo boemia. No "Aurélio" encontrei as primeiras pistas e desafios, já que essa manifestação social nos aproxima de diversos sentidos:


Boemia: 1. vida alegre e despreocupada; vida airada, leviana.

2. vadiagem, pândega, estúrdia, estroinice.

Boêmio: 1. que leva vida desregrada; vadio, pândego, estúrdio, estróina.

2. alegre e despreocupado do futuro, desambicioso.3. cigano.

Estróina: extravagante, doidivanas, boêmio, gastador, dissipador, perdulário.

Estúrdio: leviano, esquisito, estróina, doidivanas, excêntrico, travesso.

Pândega: 1. folguedo ruidoso e alegre, brincadeira, folgança, folia.

2. estroinice, extravagância. 3. patuscada, farra.

Pândego: engraçado e alegre.

Patuscada: 1. ajuntamento festivo de pessoas para comer e beber, comedela, comedoria,comezaina 2. pândega, folgança, farra.


Partindo dos significados dados à boemia e sua rede associativa, com carga radical de negatividade, nos vemos diante de uma questão interessante: essa vida alegre e doidivanas, reunindo festivamente pessoas para comer e beber, essa vida noturna (ou diurna) com suas extravagâncias, também é constituída por uma produção cultural, logo, de trabalho, mesmo que seja um alegre e desambicioso para além do trabalho.

Recusando-me a aceitar o sentido discriminador, procuro práticas da boemia no melhor significado da palavra, lugar de encontro criativo, de descobertas socializadas, de bom humor e histórias hilariantes, todas reais, da verdade mais pura, ou desta espécie de verdade pronunciada por quem já bebeu uma dose a mais e passou a acreditar nos próprios devaneios produzidos pelo álcool. Pois, como dizia Charles Baudelaire, "um homem que só bebe água tem, sem dúvida, um segredo para esconder de seus semelhantes".

Aproximando-nos mais um pouco do tema, descobrimos que a vida boêmia e dita desregrada é, muitas vezes, incompatível com uma relação amorosa mais séria e duradoura. Talvez por isso, Ismael Silva, boêmio do Estácio e da Lapa, filosofava: "Nunca me casei. Casar contra quem?", e num samba famoso, de 1931, sugere que largar a boemia exige um grande sacrifício, difícil de ser cumprido. Por isso o compositor exige uma jura de amor em troca de sua regeneração:


SE VOCE JURAR(Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves)


Se você jurar que me tem amor

Eu posso me regenerar

Mas se é para fingir mulher

A orgia, assim, não vou deixar

Muito tenho sofrido por minha lealdade

Agora estou sabido não vou mais atrás de amizade

A minha vida é boa não tenho em que pensar

Por uma coisa à toa não vou me regenerar

Se você jurar que me tem amor

Eu posso me regenerar

Mas se é para fingir mulher

A orgia, assim, não vou deixar

A mulher é um jogo difícil de acertar

E o homem como um bobo não se cansa de jogar

O que eu posso fazer é se você jurar

Arriscar a perder ou desta vez então ganhar.(Oi, jura, jura...)

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Quem é Luiz Carlos Manhães?

Professor universitário da UFF, Luiz Carlos Manhães realiza um curso regular: "redes educativas na boemia musical". Sugerindo o nome da coluna como: "boemia musical" ou "Os Boêmios", em homenagem a Anacleto de Medeiros, autor da música gravada pelo Cordão do Boitatá. Entretanto, a coluna ficou como Dr. Boêmia em homenagem ao doutor especializado em boêmia. Viva!

EstrelaDoce: Sobre Heitor dos Prazeres

Heitor dos Prazeres nasceu no Rio de Janeiro, em 1898, no dia 23 de setembro, próximo a Praça Onze, lugar onde se reunia o grande sambista.
Seu pai Eduardo Alexandre era marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e sua mãe Celestina era costureira. Heitor quando não estava na oficina ajudando o pai, estava vadiando pelas ruas da praça Onze.
Aos 13 anos foi preso por vadiagem e levado para Escola Correcional Benjamim Constante, onde ficou dois meses. Naquela época era considerado crime. Ele estudou apenas o primário, mas isso não impediu de ser um grande artista.
Sua paixão pela música o levou, muito cedo, a aprender a tocar cavaquinho, presente do Tio Lalú de Ouro (Hilário Jovino), que ganhou o instrumento em uma rifa e o deu.
"Lino, com era chamado por seus familiares, fugiu de casa para poder estudar o instrumento pelas ruas, onde foi recolhido como vadio para Escola Correcional Benjamim Constante no Quintino, onde aprendeu a profissão de tipógrafo.", conta Heitorzinho.
Ele participava de reuniões na casa da tia Ciata onde convivia com os sambistas João da Baiana, Donga, Sinhô, Pixinguinha e outros, também freqüentava os terreiros de Candomblé.
Foi um dos fundadores da Escola de Samba Vai Como Pode, que mais tarde veio a se chamar Portela, junto com Paulo Benjamim de Oliveira, Paulo da Portela, a escola de coração e outras.
Heitor dos Prazeres trabalhou na rádio criou o grupo “Heitor e sua gente” e integrou um conjunto musical “Grupo Carioca” com Cartola e Paulo da Portela e formou o grupo: "Embaixada do samba Carioca", para o evento " Carnaval do Pôvo", na Radio Kosmo e Prefeitura de São Paulo em 1939 e 1941, onde Adoniram Barbosa era o anfitrião e animador do espetáculo (nesta época, Adoniram ainda não fazia sambas, vindo mais tarde compor influenciado por este acontecimento). Como compositor foram inúmeros seus sucessos em parceria com Noel RosasPierrô Apaixonado” em 1936, nas vozes de Joel e Gaúcho. “Lá em Mangueira” de parceria com Herivelto Martins e “Mulher de Malandro” na voz de Francisco Alves, em 1943.
Casou-se com Gloria, em 1931, ficando viúvo em 1936. A partir daí ele passa a se dedicar à pintura, mais uma expressão artística que ele domina como se fosse um grande estudioso. Conquistou o mundo das artes plásticas. Sua paleta com as cores puras e fortes, mostrou o cotidiano de um povo alegre, aqueles que conheceu nos bares da praça Onze e por onde freqüentou levando a sua música. Imagens gravadas no inconsciente que nos momentos de solidão ele as colocou nas telas. Um estilo próprio que só ele sabia fazer. Com fez com a música Heitor dos Prazeres cercou-se de pessoas conhecedoras das artes plásticas que lhe indicou o caminho certo.
Ainda na década de 30 Heitor casa-se com Nativa Paiva, uma das pastoras, tem um casal de filhos, no dia 07 de dezembro de 1942, nasceu o menino Heitor dos Prazeres Filho - Heitorzinho dos Prazeres que seguiu os passos do pai na música e na pintura. A linguagem artística representa o cotidiano dos subúrbios da Leopoldina, crianças soltando pipas, nas ruas do bairro e as mesas de bar com os freqüentadores.
Casado com Regina desde 1969, teve três filhos com ela. Quando casou já existia um outro, pelo que sei dois seguiram o caminho da música. Ao entrevista-lo ele declarou:

"Tenho quatro filhos, um com Iolanda uma amiga de outrora e 3 com Regina minha parceira de 38 carnavais: Marcelo pai do meu neto Lucas, Eduardo Alexandre, Ricardo Heitor pai de Júlia minha neta e Flávio Henrique, pai de Maria Eduarda, minha neta.
Quando cheguei nesta nave fui recebido com arte, pouco antes do Natal. Na sala um sarau, no quarto a parteira me bate com a palma do despertar para a vida. O meu choro era, assim, acompanhado por um cavaquinho, um violão e um pandeiro. E com aquela melodia foram surgindo os versos de mais um chorinho:

É mais um Guerreiro

É mais um Carioca

É mais um Brasileiro..."
Acariciado por pincéis que faziam “cosquinhas” nos meus pés, eu sorria dormindo, sonhando colorido, envolto num ambiente alegre, irradiante de amor e simplicidade. Crescia com o passar dos dias sentindo a alegria do ritmo, da melodia, da poesia, da pintura e da escultura, constantes presenças naquela escola da vida.
E assim fui maravilhosamente contaminado pelo vírus da arte, da música e da pintura".

Heitor dos Prazeres participou de várias exposições com sucesso. Em Londres, ele fez parte da coletiva da RAF-Royal Air Force, em benefício das vítimas da 2ª guerra Mundial, com a tela Festa de São João por indicação de Augusto Rodrigues. A princesa Elizabeth adquiriu um de seus trabalhos.
Em 1951, ganhou o terceiro lugar na Bienal de Arte Moderna de São Paulo e fez uma individual no Museu de Belas Artes de Belo Horizonte. Em 1966, foi se juntar a outros bambas do samba e da arte.
Em 2003, foi lançado o livro Heitor dos Prazeres sua Arte e seu Tempo.

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Quem é Dalva Beltrão?
Artista Plástica de mão cheia e jornalista. Dalva é do samba e faz parte da direção do bloco de carnaval: Bagunça Meu Coreto. Conhecedora de muitas artes e muitas, mas muitas pessoas no universo artístico. Ela chega no Guerrilha Aberta para somar forças e falar sobre o que ela quiser.

Galhofa: "Itália libera uso de maconha para Rastafáris"

Estava na redação do Guerrilha Aberta tranquilo, quando um dos colunistas Leo Carnevale chega com o jornal na mão, saindo do banheiro e a seguinte frase: "Achei uma notícia bombástica para a revista!". Olhei para ele, meio desconfiado, achando que era mais uma das suas piadas, mas quando li a título da máteria não acreditei: "Itália libera uso de maconha para Rastafáris".

Para quem ainda está entendendo nada, é o seguinte: A Suprema Corte da Itália derrubou a decisão do tribunal de Perugia (norte da Itália), que condenava um rastafári de 44 anos, por estar portando 100 gramas de maconha. O homem alegou que a droga era usada para ritual religioso, onde a religião permite o uso de 10 gramas por dia, com fins de meditação, para fazer contato com Jah e que a quantidade portada só daria para 10 dias.

ACREDITE SE QUISER!


- E você, acha que no Brasil também poderia acontecer isso?
- Você é Rastafari? Pratica a religião de Jah?


Quem tiver dúvidas, pode ler a matéria na integra abaixo:
(É só clicar na imagem, que ela amplia)


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Quem é Leo Carnevale?

Ator, palhaço, diretor, escritor e colunista. Leo Carnevale desenvolve seu espetáculo "Pulitrica" pelas ruas, praças e onde for bem vindo seu Palhaço Afonso Xodó. Há algum tempo, está desenvolvendo sua capacidade literária voltada ao humor, ao teatro e a palhaçaria, aqui apresentada como Galhofa.

NotaPreta: Djalminha, filho de São Cipriano

Alguém, aí, sabe qual é o Dia de São Cipriano? É isso, mesmo. Qual é o dia em que se comemora o Dia de São Cipriano? Calma! Não se trata de “game” ou “quiz”. A pergunta me veio à mente, em conseqüência da deliciosa conversa que tive com o grande compositor do Morro da Providência, cujo Cd “A ÚLTIMA CEIA” é uma peça rara da verdadeira cultura brasileira.

- Meu nome é Djalma Souza da Silva. Tenho 75 anos. Nasci no Morro da Providência.

- Sabe quando?
- Dia 11 de julho. “Dia de São Cipriano
.

- Mas você freqüentava os Terreiros de Candomblé da Zona Portuária, Djalminha?
- Não, rapaz! Isso aí era coisa pesada. A polícia baixava o pau, malandro.

Djalminha faz um corte rápido e coloca em primeiro plano sua habilidade como percussionista.

- No meu tempo, no Morro da Providência nossa única diversão era o samba. A criançada aprendia a tocar os instrumentos batendo na lata. Sabe aquela velha história da “Lata D’água na Cabeça?”. Se liga: a lata serve para carregar água morro acima, vira tamborim, surdo e o que a imaginação quiser:

FOI BATENDO NUMA LATA
QUE ME TORNEI UM BAMBA,
PARTIDEIRO RESPEITADO
NAS RODAS DE SAMBA.
SE QUISER VER PRA CRER
QUE VOU DEIXAR CAIR
SE ENCULCA NO PAGODE
E VAI BEM FUNDO PRA SENTIR

QUE SOU RAIZ DE VERDADE
DA VIZINHA FALADEIRA
EU FIQUEI-FIRME
DA RISOLETA, NEGA BELA:
LÁ NO MORRO DA FAVELA
DO BAM-BAM-BAM 7 COROAS
ADEUS PNTE DOS AMORES
DA CABROCHA DA GAMBOA

Cabrocha da Gambôa (Djalminha/Luiz Luz)

- Djalminha, essa Risoleta era do cu riscado, não era?
- Risoleta? Era a cabrocha do Morro da Favela. Encantadora e alucinante! Risoleta acredito eu, ter sido a primeira mulher citada em um samba. Escuta só:

VOU MANDAR ESTA NEGA RISOLETA
QUE FEZ UM FALSETE E ME DESACATOU
ISSO É CONVERSA PARA DOUTOR

Antes da pergunta, Djalminha sai respondendo:
- Conheço esta samba desde de criança. Agora, por favor, não me pergunte o nome do compositor. Vou ficar te devendo essa... Não vou fazer, melhor. Vou pagar você respondendo uma pergunta que você ainda não fez: o nome dos meus pais e da minha avó, grande passista do Morro da Favela, da qual, herdei a ginga e a sabedoria. Meu pai chama-se Antônio Januário da Silva. Mamãe era a Dona Maria da Conceição de Souza e Vovó sempre foi Vovó. Sobre papai tem uma historinha muita curiosa: Você sabia que o cara foi preso, em 1936 porque ensinava pessoas a ler? Anote, aí: 1936: um chefe da família é preso por alfabetizar os pretos do Morro da Favela!
Felizmente, na minha juventude, ensinar os pretos a ler e escrever não era considerado crime hediondo! O Djalminha rapazola era exímio dançarino, aposto!

- Cumpadi, muito antes de me casar com a Vizinha Faladeira (que começou na Rua América 184, em Santo Cristo) dos empregados da beira do cais, rodei e rodopiei por todas as gafieiras da cidade. Se quiser anotar, anote:

1) RECREIO DA FLORES, na Praça da Harmonia. O Recreio das Flores era um rancho que virou gafieira. Nessa época conheci os lendários ZÉ MOLEQUE e WALTER MANTEIGA JR do Morro do Pinto.
2) DRAMÁTICO. Era um clube de futebol também no Morro do Pinto.
3) CLUBE DOS ESTADOS. Esse ficava na Rua Álvaro Alvim.
4) CLUBE DOS CRONISTAS CARNAVALESCOS bem, ali, na Presidente Vargas com Uruguaiana.

Djalminha recua no tempo e reconstitui Escolas de Samba pouco conhecidas:
- Nos anos 30, o Morro da Providência abrigava as Fiquei Firme ou Fique Firme, Corações Unidos e Última Hora.

- Por que a fama da Vizinha Faladeira?
- O destaque da Vizinha Faladeira credita-se aos empregados do cais. O povo da estiva (primeiro sindicato do Brasil) sempre foi forte e unido. Ta o Império Serrano que me deixa mentir. E por falar nisso, Fuleiro, Ivone Lara e sambistas de todas as Escolas batiam ponto na Vizinha Faladeira. Eu vi. Ninguém me contou.

Amei há quem não devia amar
Chorei por quem não devia chorar
Eu já jurei que mais ninguém
Eu hei de ter amor
Quem eu julguei
Me ter amizade
Me abandonou
A princípio eu fiquei triste
Quase morri de saudade
gora estou conformado
Antes viver só, que mal acompanhado

(Desfile do “Bloco” Vizinha Faladeira, nos anos 40)


- E a Pedra do Sal, Djalminha? Você sabia que a Pedra do Sal ganhou status de Quilombo Urbano?
- No meu entender, a Pedra do Sal é um santuário. Santuário tão sagrado quanto a Pedra do Sol, no México.

EH! SENZALA, SENZALA, EH!
EH!, SENZALA
EH!, EH! SENZALA, SENZALA EH!
EH! SENZALA

EU SOU O SAMBA
SOU ORIUNDO DA SENZALA
NASCI NUM LAMENTO DE DOR
SÃO VELHAS-GUARDAS
E BAIANAS
TESTEMUNHAS DO QUE EU PASSEI;
JÁ FUI MARGINALIZADO
E PELOS MORROS E FAVELAS
ME CRIEI – ZÉ PEREIRA ME FEZ UM REI
PORQUE UM BAMBA, É BAMBA
E PRA PEDRA DO SAL COM MUAMBA
DESCI DO MORRO, PRA FICAR
BEM ALTO
VIREI FEITIÇO QUE A CARMEN MIRANDA
ESPALHOU NO ASFALTO

HOJE NESTA FESTA DE SENZALA
PAGODIANDO VOU O DIA AMANHECER
MORO NO MORRO, É BOM SACAR
MINHA COROA É DE CETIM
MEU PAVILHÃO, MEU ESTANDARTE
CULTURA E ARTE MOSTRO
AO SOM DO TAMBORIM
NUM SAMBA DE RODA
NA CIDADE ALTA E COM TIA CIATA DESFILANDO
AS ESCOLAS DE SAMBA NA APOTEOSE
REINANDO NAS LINHAS DA PAUTA
DA PRAÇA ONZE, EU SOU A IMAGEM
QUE O MUNDO EXALTA

(Pedra do Sal – Djalminha, Bebeto do Ouro e Sarabanda)

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Quem é Mauro Vianna?

Jornalista e Produtor Cultural, (República do Samba, Café de Bambas, Centenário de Carlos Cachaça, Zé Ketty Vive, Darcy da Mangueira, 70 anos, Ismael do Estácio apresenta os seguintes projetos para o biênio 2007/2008: livro, video-documentário e shows.


Projeto de lei criminaliza em massa usuários de internet, no Brasil

Foi aprovado nesta quarta-feira (09/07), pelo Plenário do Senado, a proposta substitutiva ao Projeto de Lei da Câmara 89/2003, que conceitua juridicamente os crimes cometidos no universo da informática, seja em redes privadas ou na Internet. O que acontece na prática, segundo um grupo de seis advogados da Faculdade Getulio Vargas - FGV, o projeto prevê a criminalização em massa de usuários de internet, pois caracteriza crime baixar e trocar arquivos (músicas, textos e vídeos) sem autorização do titular. O usuário pode ser preso em sistema de reclusão de 1 a 3 anos e ainda pagar multa.

Segundo a proposta, fica caracteriza crime: "acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado sem autorização do legítimo titular, quando exigida". Segundo os advogados da FGV, a utilização aplica-se não só computadores, mas reprodutores de MP3, aparelhos celulares, tocadores de DVD, sistemas de software e até conversores de TV digital, além de sites.


Para quem não for a favor da proposta

Está rolando pela internet, uma petição online: "Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira", que pode ser acessada no site Petition Online. Até a data de publicação deste artigo, a petição já tinha mais de 57.000 assinaturas.


Algumas observações sobre o projeto:

O uso de redes P2P, independentemente do conteúdo compartilhado nela, será criminalizado (ou seja, da maneira como está hoje a lei, baixar ou transferir obras em domínio público ou livres será crime). A criação de códigos que podem levar a crimes, independentemente do crime ser cometido ou não, será considerada crime (ex. hoje, uma das contribuições que os chamados "hackers do bem" - aqueles que não acessam contas ou emails pra roubar - é descobrir como se pode quebrar a segurança de um sistema e contribuir para a melhoria dos mecanismos de segurança. Se a lei for aprovada, fazer isso será considerado crime. Ou ainda a criação de uma linha de código que quebre travas de CDs - e eu não mais poderei colocar as faixas de um CD no meu MP3 player).

O projeto de lei legitima também o fim da privacidade. A prática da delação não é somente estimulada. Mais que isso, o provedor de acesso à internet terá que armazenar informações sobre nossa navegação e será obrigado a informar de maneira sigilosa à autoridade competente os endereços de nossas máquinas (IPs) caso identifiquem qualquer denúncia de violação (sem a necessidade de um pedido da justiça). Em qualquer lugar do mundo, os especialistas em governança da internet defendem de maneira incisiva o direito à privacidade na rede. Até mesmo movimentos de direitos humanos que lutam pelo criminalização da pedofilia, do racismo e de outros crimes na rede são contra o projeto, dada sua abrangência e devido às inúmeras interpretações que pode gerar.

Ainda que a intenção dos legisladores possa ser a melhor possível, os artigos do projeto de lei são tão genéricos que permitem ao juiz que aplicará a lei as mais diversas interpretações. Fraudes, pedofilia e outros já são crimes e a regulamentação específica para a internet está colocando, no mesmo saco, essas e outras práticas, como o compartilhamento de arquivos, a criatividade e inovação tecnológicas.

Ao transformar tudo isso em crime, uma porcentagem enorme de usuários da internet está sujeita a ir presa.
Quem quiser ler mais informações sobre a proposta já aprovada, pode acessar o site do Senado.

Estrada 55 faz homenagem ao compitor Adelino Moreira

Nesta sexta-feira (18/07), o projeto Estrada 55, que divulga a música independente autoral de vários estilos, produzido por Ricardo Loureiro realiza a sua 48o edição no Espaço Cultural Compositor Adelino Moreira - ECCAM, em Campo Grande das 16 às 22 horas. Entre as atrações estão os grupos Mammatchaully, Morais do Acordeon & Banda Fera Show e os músicos: Marcello Santos e Rubinho Effe. Além da participação dos poetas: Augusto Celso e Carlo José Soares.

Além das suas próprias composições, cada grupo tocará uma música do compositor Adelino Moreira em homenagem, com shows de aproximadamente 25 minutos cada. Os artistas também estarão com seus CDs a venda.

ESTRADA 55 é um projeto idealizado pelo divulgador cultural e musical, Ricardo Loureiro, que divulga a música independente autoral, desde agosto de 2004, produzindo eventos musicais ao vivo e em seu programa realizado no Estúdio da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz e transmitido pela webrádio Maré Manguinhos, pela webrádio everssonpaladini.com.br/fm e pela rádio eversonpaladini 99.2 FM de Santa Catarina.


SERVIÇO: ESTRADA 55 - 48o EDIÇÃO

Quando: 18 de julho de de 16 às 22 horas
Onde: ESPAÇO CULTURAL COMPOSITOR ADELINO MOREIRA - ECCAM
(Rua Barcelos Domingos s/nº Campo Grande -
Ao lado da Estação Ferroviária e do Terminal Rodoviário)

ENTRADA FRANCA

Doutores da Alegria estréia espetáculoTroca de Plantão

Nesta sexta-feira (18/07), a partir das 17h, no Centro Cultural Carioca, os Doutores da Alegria, do Rio de Janeiro apresentam o espetáculo “Troca de Plantão, trazendo uma reunião de experiências vivenciadas nos hospitais. Com direção artística de Flávia Reis, reúne um elenco de 11 atores, que fazem parte da ONG do RJ.

O espetáculo conta ainda com um acompanhamento musical da BUNDA – A banda dos Doutores da Alegria, formada por palhaços que freqüentam os hospitais e que tem como repertório canções relacionadas ao universo da saúde, referências homeopáticas, fitoterápicas e males que afligem a humanidade. O Elenco é composto por Cesar Tavares (Dr. Invólucro); Ademir Souza (Dr. Troty); Marcos Camelo (Dr. Totó); Sávio Moll (Dr. Socó); Kadu Garcia (Dr. Provisório); Júlia Shaeffer (Dra. Shei-lá); Diogo Cardoso (Dr. Simplício); Guilherme Miranda (Dr. Adamastor); Florencia Santangelo (Dra. Cucaracha); Eber Inácio (Dr. Inácio) e Cris Brasil (Dra. Batuca).

SERVIÇO:
"TROCA DE PLANTÃO"

Quando: 18 de julho, sexta-feira, a partir das 17h
Onde: Centro Cultural Carioca (Rua do Teatro, 37 – Centro – Rio de Janeiro/RJ)
Preços: R$ 20 (com meia-entrada para estudantes e profissionais de saúde - 120 lugares).
Info: 2532-1453

República do Samba traz Samba de Quilombo

O Museu da República convida para a edição do República do Samba, dia 1º de agosto, às 19 horas, no Auditório Apolônio de Carvalho. Os convidados do jornalista Mauro Viana serão os jovens produtores, à frente da Granes Quilombo, escola de samba fundada por Candeia, Wilson Moreira e Nei Lopes. O repertório do grupo é baseado na obra de Candeia, Nei Lopes e Wilson Moreira.

As próximas edições do República do Samba são no dia 5 de setembro: SAMBA NA FONTE, com Haroldo Cesar apresenta compositores do Samba na Fonte (Pedra do Sal) e Grupo Resistência (Engenho da Rainha). Em outubro, no dia 03: ACADÊMICOS DO SOSSEGO E INFANTE DA PIEDADE; onde Escola de Niterói, Acadêmicos do Sossego canta seu enredo 2009. A Infante da Piedade traz novo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Já em novembro, no dia 07 traz FABIO THOMAZ em Samba & Bossa e GRUPO BOSSA DO SAMBA. Por final, no dia 5 de dezembro, o República do Samba traz a banda BLECAUTE, eterno general da banda nasceu no dia 5 de dezembo de 1919. No dia 5 de dezembro de 2008, Blecaute Jr. comanda homenagem ao pai no Palácio do Catete.


SERVIÇO: REPÚBLICA DO SAMBA COM SAMBA DE QUILOMBO
Quando: 01 de agosto às 19h
Onde: Aud. Apolônio de Carvalho no Museu da República (R.do Catete, 153-Tel: 3235-2650)
www.museudarepulica.org.br

ENTRADA FRANCA

Download: OVERMUNDO

Diante do universo colaborativo de redes que a internet fez surgir nos últimos anos e da web 2.0, um dos projetos que se popularizou no Brasil foi o site Overmundo. Concebido e realizado pelo Núcleo de Idéias Movimento. O site colaborativo tem como objetivo servir de canal de expressão para a produção cultural do Brasil e de comunidades de brasileiros espalhadas pelo mundo afora tornar-se visível em toda sua diversidade. Ele funciona de modo que qualquer usuário pode-se cadastrar no site, criando seu perfil, gerando conteúdos, votando em matérias, além de disponibilizar músicas, filmes, textos, podendo comentar tudo e trocar informações de modo permanente com outros usuários.

O Overmundo contém seções muito especificas, como: overblog, onde traz mais de 3.000 colaborações, entre artigos, entrevistas e matérias publicadas pelos colaboradores de diferentes partes do mundo, onde as matérias que são mais votadas permanecem por mais tempo na página principal. Além disso tem o banco de cultura, que consiste como um poderoso arquivo de produções culturais, que incluem textos, músicas e imagens, onde tudo para ser baixado gratuitamente e com autorização do autor.

Se você quiser saber ainda o que está rolando pelo Brasil a fora, em relação a festas e outros eventos, pode acessar a seção: agenda, ou ainda pode conhecer sobre lugares de diferentes estados brasileiros, na seção: guia. O site traz a relação de todos os perfis que podem ser buscados por estados brasileiros. Além do overfeeds, que traz um conglomerados de blogs da blogosfera brasileira, alimentando o site diariamente com milhares de notícias sobre muitos segmentos e o overmixter, que traz uma grande quantidade de músicas e samples, mais destinada a comunidade musical, de Djs e produtores

O Overmundo pode ser considerado como o principal responsável brasileiro pela dessiminação da licença internacional de direitos autorais Creative Commons, onde qualquer usuário que disponibilizar qconteúdo no site, estará automaticamente licenciando seu conteúdo sob essa licença Creative Commons. Assim, todo conteúdo pode ser livremente compartilhado, desde que seja para fins não-comerciais (assim como é a Guerrilha Aberta). Conseqüentemente, por exemplo, rádios comunitárias, escolas, pontos de cultura e quaisquer outras iniciativas não-comerciais estarão previamente autorizadas a utilizar os conteúdos do Overmundo.

Se você ficou animado para conhecer e ainda não sabe como utilizar o Overmundo. A acesse um guia de 10 passos disponíveis no próprio site e boa viagem!

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O Creative Commons Brasil disponibiliza opções flexíveis de licenças que garantem proteção e liberdade para artistas e autores. Partindo da idéia de "todos os direitos reservados" do direito autoral tradicional nós a recriamos para transformá-la em "alguns direitos reservados". Para saber mais, assista os videos [1] e [2].

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Guerrilha Aberta é Vinnyl 69 Produções e vice-versa

05 de julho de 2008! Está no ar, a décima edição da revista eletrônica Guerrilha Aberta, trazendo entrevistas, notícias, informações culturais e pensamentos para você. Começando pela entrevista com Juliana Manhães, que coordena um grupo As três Marias, de brincadeiras e histórias brasileiras, baseadas na cultura Maranhense, de sua origem que se apresenta na rua, no palco, em rodas e praças. Seguindo, nosso colunista e novelista Leo Carnevale traz o terceiro capítulo da sua novela Sorrub e Oileruá, na sua coluna Galhofa. Falando nisso, vocês já descobriram o que significa esse título?

Nossa segunda colunista Dalva Beltrão, escreveu um lindo texto sobre Luiz Gonzaga, em sua coluna EstrelaDoce, Dalva conheceu pessoalmente o "Gonzagão", como ficou conhecido. Cai entre nós, no período de Festas Julinas, não poderia ser melhor oportunidade para falar sobre o mestre da cultura popular nordestina.

Agora sim! Não percam, nesse domingo, a Maratona de Artistas de Rua.com, que vai ser realizado, durante todo o domingo, dia 06 de julho, no Aterro do Flamengo, com 15 espetáculos na rua, que vão desde palhaços, mímicos, músicos, charlatões, de 9 da manhã até as 17 horas da tarde, com o encerramento do no ator e palhaço Márcio Libar, que por sinal está realizando uma oficina de Técnica de Palhaço, no grupo Milongas, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, durante os próximos dias de 11, 12 e 13 de julho. Maiores informações: (Roberto Rodrigues: roberto.teatro@gmail.com / 9135 - 5234 e 2234 - 9631 ou Giuliana: giuliana@mundoaocontrario.com.br / 9359 - 0398 / 9955 - 0913). O curso apresenta diversas técnicas, entre gags e procedimentos técnicos da arte da palhaçaria.

Seguindo a revista, tem ainda um pequeno artigo sobre Festival de Teatro de Afonso Cláudio Em Cena 2008, festival que está na sua terceira edição. Atores, atrizes e diretores fiquem atentos a este Festival, pois daqui há alguns todos vão querer participar. Seguindo, o SESC São João de Meriti de Julho até Novembro estará realizando uma extensa programação, chamado SESC de Portas Abertas, que visa a realização e inclusão de artes, buscando um diálogo direto com a comunidade ao seu redor e já o SESC Madureira realizará durante todas as noites de sexta-feira de julho, um samba de gafieira, que promete agitar as noites por lá.

Terminando essa edição, temos o destaque na seção Download, com a banda Songoro Cosongo, que traz um genêro musical onde mistura diversos estilos musicais de origem latina e disponibiliza todas as músicas para serem baixadas do seu site. Vale a pena! E ao final da edição, no início do mês de julho, tivemos a presença de Eugenio Barba, o diretor da Odin Teatret, onde ele realizou um série de palestras e nos fez pensar enquanto revista, produtores e veiculadores de uma arte que não é tão grande quanto imaginavamos. Precisamos ter o quanto antes, a consciência o quanto somos tão pequenos e principalmente quem são as pessoas para quem nós trabalhamos.

E para quem ainda não percebeu, a Guerrilha Aberta é Vinnyl 69 Produções e vice e versa. Que venham os próximos acontecimentos espetaculares, na rua, na praça, em rodas e por todas as ruas digitais!

Tenha uma boa leitura,
Do seu editor.

Entrevista com Juliana Manhães - Três Marias

Nessa décima edição da revista Guerrilha Aberta, trouxemos uma artista que dispensa qualquer apresentação: a artista popular da dança, do teatro, da música, do canto e da batucada. Atriz, dançarina e arte educadora, que coordena o núcleo As Três Marias, Juliana Manhães. Ela vai nos contar um pouco sobre o rico universo das culturas populares do Maranhão e do Rio de Janeiro. Já que ela nasceu no Maranhão e mora no Rio de Janeiro, há pelo menos 15 anos, mas vive num processo continuo de idas e vindas para o Norte e Nordeste, para não perder o sentido de intercâmbio e da troca com outros grupos e mestres da arte e da vida, como ela mesma conta: "Acredito na diversidade e integração, e que a partir destes movimentos desenvolvo trabalhos com pesquisas em brincadeiras e histórias brasileiras, seja na rua, no palco, em roda e praças".
Sentiu, né?
Com vocês: Juliana Manhães!!!


Guerrilha Aberta: O que é As Três Marias - Núcleo de Folguedos Brasileiros? Quando começa e o que faz hoje? Quantas pessoas formam o grupo?
Juliana Manhães: As Três Marias é uma história interessante, lembro bem do dia que subia a rua Cândido Mendes para chegar em Santa Teresa e estava animada e cantante com mais duas mulheres do Maranhão, Ana Neuza, Joana e um inspirado amigo artista plástico, Fernando Mendonça, que começou a criar uma música que falava de três mulheres que saíam para vadiar e nesta “mulecagem” surgiu este nome e marca de três mulheres. Tempos depois voltando do Maranhão trazia uma parelha de tambor de crioula e no ato de batismo de três tambores ficou As Três Marias, inicialmente virou um lugar de reunir para tocar, dançar, brincar e reviver o Maranhão no Rio, este movimento começou em 1998, quando ainda nos chamávamos de Divina Corriola e brincávamos com a dança do cacuriá. Este movimento fez com que descobríssemos uma grande concentração de maranhenses e emaranhados na cidade do Rio. Começou com a ocupação do Largo das Neves em Santa Teresa e daí se alastrou para outras praças, levamos altar, rezadeiras, caixeiras, juntamos outros grupos como o Boi Brilho de Lucas, Céu na Terra e o Mariocas e começamos a fazer festas e danças do Maranhão e do Rio de Janeiro.
Da festa veio a necessidade de encontrar mais, ensaiar e criar músicas e coreografias autorais com o tambor e o cacuriá, hoje estamos misturando com outras linguagens como o teatro e outros ritmos. Fazemos festas, brincadeiras, intercâmbios com mestres do Maranhão e outros folguedos brasileiros. Estamos em momento de reciclagem, fizemos curso de máscara com o grupo Moitará e aulas de canto com uma pessoa muito especial, Alba Lírio, para amadurecer nosso trabalho e a gente retomar os ensaios do musical Balaio de Saias.


GA: Você é do Maranhão e já vive no Rio de Janeiro há algum tempo. Qual a principal diferença que você percebe entre as culturas populares de cada região do Brasil?
Manhães: O que une e o que integra essas culturas é a necessidade de estar alegre, de festar junto, é a crença nos rituais, é a certeza do movimento constante, daí a importância do ciclo das festas de cada cidade e comunidade. E dentro destas celebrações acontece uma rede de trocas e vivências fundamentais para a sobrevivência dessas pessoas. A diversidade faz a força em cada região, porque uma brincada de boi, de maracatu, de carimbó ou um festejo de Divino tem a sua riqueza nesse estilo da diferença. Nesses dias acabei de voltar de uma viagem que fiz pelo interior do Maranhão, na Baixada e pude perceber o quanto cada turma de boi de cada cidade e povoado que passei, era diverso do outro, então não sinto uma principal diferença, mas é essa diferença que traz a identidade de cada lugar, o seu jeito de tocar, de dançar, de vestir e de ir se transformando.


GA: Quantos e quais tipos de dança o nordeste têm e quais são as mais importantes?
Manhães: Nossa são muitas...é dança em roda, é dança de cordão, é dança de umbigada, é dança de saudação, é dança religiosa, é dança de danação. Cada uma com seu critério e fundamento, é até difícil dizer...isso me faz lembrar de meu mestre cazumba Abel “Quanto mais a gente explicar mais vai perdendo a noção da coisa...” Agora tem algumas manifestações que dominam o cenário nacional, que existe de ponta a ponta do Brasil acontecendo no período natalino e junino como o boi, bumba-meu-boi, boi-bumbá, cavalo-marinho ou reisados, além de variados festejos religiosos. É tanta influência que o próprio nome já aponta: carimbó, siriá, lundu, marabaixo, maracatu, frevo, coco, afoxé, ciranda, cacuriá, tambor de crioula, lêlê, lili, caroço, congo, bambaê e todos são muito importantes. Agora tem os mais conhecidos ou os mais aceitos, mas isso já é uma outra história.


GA: Você atualmente, está realizando um mestrado. Qual o tema que você está pesquisando e qual será o resultado final dessa pesquisa?
Manhães: Faz 8 anos que venho vivenciando e experenciando brincar de cazumba no boi da floresta com mestre Apolônio em São Luís; e desde o ano passado, através do forte estímulo do orientador Zeca Ligiéro do NEEPA na UNIRIO, resolvi registrar estas vivências e observações trazendo outros sentidos para minha atuação dentro da brincadeira do boi. O tema da pesquisa é a performance do cazumba na roda do boi, percebendo sua dinâmica de movimentação e relações com os outros personagens e o público, e o jeito desse encaretado em divertir e assustar com seu jogo e seus compromissos com os rituais que fazem parte do ciclo festivo. Para isso o fio condutor, meu guia desde o primeiro momento é Abel Teixeira, artesão e cazumba que veio do povoado de Santo Inácio na baixada para capital São Luís e foi se tornando um grande artista na arte de fazer careta. Esta pesquisa é também uma homenagem aos 50 anos de cazumba de Abel e aos 90 anos de vida de Apolônio, meus mestres e guias. Uma maneira de agradecer e engrandecer a vivência para a escrita e a memória.
O resultado final é o desejo de conseguir escrever e traduzir essas relações da brincadeira com o brincante, de forma narrativa, etnográfica e interessante, isso acontecendo o que vier é lucro. Já tenho feito registros fotográficos e documentado depoimentos e cenas da brincadeira, além de rituais do boi da floresta e de algumas turmas de boi da baixada maranhense. Na hora de juntar tudo e selecionar alguma coisa vai virar...


GA: Nesse primeiro semestre, você realizou uma oficina de danças populares que foi o maior sucesso e para o segundo semestre, qual o calendário de atividades que o núcleo das Três Marias têm? Entre festas, cursos e eventos...?
Manhães: A Roda dos Brincantes Festeiros é uma oficina que vai se transformando e renovando e foi uma delícia fazer um processo continuado de 1 ano toda a semana, permitiu experimentar, estudar, juntar, misturar técnicas, dinâmicas, trocar muitas idéias até chegar em uma metodologia in progress cheia de aberturas e possibilidades. A oficina permitiu o reencontro com a parceira Matilde Vilella e o intercâmbio com vários grupos e artistas que participaram como o grupo Paideguará, Lucio Enrico do Boidaqui, Ana Diniz, Norma Nogueira do Céu na Terra, o percussionista Borracha das Três Marias, e foi um processo agregador de reunir, de guarnicê.
No segundo semestre pretendo fazer oficinas mais pontuais, dividindo em módulos, mas como a demanda do mestrado é grande, ele é que vai mandando no meu tempo, então ainda não sei exatamente quando será a próxima, talvez no final de julho no espaço do Recordatório. As Três Marias estão voltando a ensaiar o espetáculo musical Balaio de Saias e vem querendo fazer pesquisas com lendas para a criação de performances e intervenções, misturando canto, teatro, dança e música.


GA: Para você, o que é ser artista no Brasil?
Manhães: É fazer parte de um lugar muito criativo onde a precariedade reina e faz brilhar. O carnaval é um grande exemplo disso! Somos muito inspirados e a necessidade de fazer arte e recriar é veloz, não acompanhando ao tempo da falta de recursos e de espaços. Infelizmente no Brasil há muito pouco mercado e políticas para a cultura e nós artistas precisamos aprender a cavucar a reinventar este lugar para não somente sobreviver, mas realizar um trabalho com dignidade e qualidade. Hoje em dia além de precisarmos ser criadores de nossa arte, temos que saber escrever e administrar infindáveis projetos para serem aprovados e assim conseguirmos trabalhar. Ser artista é maravilhoso o difícil é ter coragem e determinação para ser profissional da arte. Mas como todo brasileiro temos muita fé e esperança e por isso acreditamos e vamos em frente na realização e concretude de nossos desejos!

Galhofa: Sorrub e Oileruá - CAP. III

Sorrub e Oileruá

Um história de Amor entre um dissoluto perdulário e sua sobejante bucelária!
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III

Sorrub não cresceu muito, o suficiente para lhe dar a aparência destemida, tinha ímpetos de herói. Foi um meninote taludo, bem desenvolvido, avesso as desavenças, mas numa disputa, uma rixa qualquer, sabia pelejar como ninguém.

Foi assim, quando na primeira ‘infantia’, se envolveu num caso heróico. Tinha sete, talvez oito. Estava sentado, quieto, na varanda do Liceu, quando uma algazarra de meninotes passa a sua frente.

Tinham em seu poder duas bonecas.

Um pequeno trapo de pano com os cabelos esfiapados, uma verdadeira espiga de milho e uma pequena, mui linda, jovem, morena, de olhos negros.

O meninório troçava das duas. A primeira já quase desfacelada e sem grãos de milho, não tinha forças. A segunda chorava copiosamente.

De pinote Sorrub se levanta. Observa a situação. E resolve! Invade o ajuntamento da pândega. Os meninotes de doze e treze anos não entenderam nada, a risada foi geral. ‘Oh criançola! Veio salvar a princesa?’. Mais risadas.

Sorrub furibundo, impele-se com violência ao falastrão, que vai ao chão. A criatura imberbe levanta-se sobre Sorrub impelindo-o com um supetão do corpo. Sorrub é encurralado no canto. O falastrão prepara-se para desferir o golpe no momento em que a boneca mui linda, de olhos negros, acerta-lhe o tino com o que restara de sua companheira de cabelos ruivos de milho que havia sido esquecida ao chão. O imberbe falastrão possuído, vira-se sobre a jovem morena desferindo nela uma barrufada na fisionomia, Sorrub de assalto investe num vôo à criatura, agarrando-se ao seu gargalo. Os meninotes assistiam a tudo estupefactos.

As mães foram chamadas.

Mama Paroara chegou ao Liceu num requintado vestido de longo decote que privilegiava a vista de seu colo feminino.

Os meninotes a saída do liceu surpreendidos com a visagem de tão exuberante e viçosa curvatura, remoinhavam, a impressão de que tudo girava.

Já na superintendência mama Paroara tomou conhecimento dos fatos. Um misto de comoção, emoção, abalo, alegria, tristeza, raiva, tomou conta dela.

‘Então, meu pequeno homem tem um ato extraordinário, guerreiro, mostrando seu valor magnânimo e sou chamada à repreensão!’

A situação inverteu-se. Desculpas da superintendência. Louvação da coragem. Sorrub era o novo herói do Liceu.

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Quem é Leo Carnevale?

Ator, palhaço, diretor, escritor e colunista. Leo Carnevale desenvolve seu espetáculo "Pulitrica" pelas ruas, praças e onde for bem vindo seu Palhaço Afonso Xodó. Há algum tempo, está desenvolvendo sua capacidade literária voltada ao humor, ao teatro e a palhaçaria, aqui apresentada como Galhofa.

EstrelaDoce: "Olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo!"

Olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo!

Nesta época do ano não poderia deixar de escrever sobre alguém que tão bem representou esses dias festivos com sua música.

Luiz Gonzaga, nasceu em Exu, Pernambuco, em 1912, no dia 13 de dezembro, na fazenda Caiçara, no pé da serra do Araripe.

Filho de Januário José dos Santos, um lavrador e sanfoneiro e de Ana Batista de Jesus ou simplesmente Santana como era conhecida. Aprendeu a gostar de música, ainda criança, pela influência de seu pai, Januário, com quem saia para cantar e acompanha-lo no zabumba em festas religiosas, feiras e forrós. Sua grande paixão era a
sanfona, de oito baixos, que aprendeu a tocar com o pai.

Em 1930, saiu de casa depois de ter um aborrecimento com os pais por causa de uma namorada e foi servir o exército. Viajou o Brasil como corneteiro. Deu baixa em 1939 e decidiu fixar residência no Rio de Janeiro.

Luiz Gonzaga comprou uma sanfona e passou a se apresentar nas ruas, bares, inclusive em bares da beira do cais. Nessa época ele tocava músicas românticas, bolero, samba canção e até tangos, então percebeu a falta que fazia a música nordestina para aqueles que vieram para cá na tentativa de encontrar uma vida melhor. Foi daí que decidiu divulgar os xotes, xaxados, baiões e outros ritmos do
nordeste. Foi um grande sucesso!

Certo dia foi ao programa de calouros do temido Ary Barroso e tocou uma música de sua autoria "Vira e Mexe" o que lhe valeu a nota máxima, a partir de então Luiz Gonzaga não parou mais, passou a compor esse gênero musical que homenageava o nordeste como o forro "Pé de Serra" que fala do lugar onde nasceu.

No Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga morou com o irmão José, Zé Gonzaga, que também tocava sanfona. Cansado da solidão da cidade grande, depois de ter tido vários amores decidiu se casar, foi quando conheceu a corista Odaléia Guedes, grávida, ele assume o filho dela dando-lhe o nome de Luiz Gonzaga Nascimento Junior – Gonzaguinha. Que seguiu o caminho do pai e também se consagrou através de suas composições.

Em 1948, conheceu Helena Cavalcanti e ficaram juntos até perto de sua morte, com ela Luiz Gonzaga não teve filhos, porque era estéril.


Entre a década de 40 e 50, Luiz Gonzaga foi considerado o compositor e cantor mais popular do Brasil, isso se deu devido as suas composições de músicas nordestinas. Sua consagração foi com o baião Asa Branca em parceria com Humberto Teixeira, um hino aos nordestinos que descreve os sofrimmentos de um povo. Essa música foi gravada por Caetano Veloso, Maria Betânia, Elba Ramalho e outros. Dessa parceria surgiram excelentes resultados, como "Lorota Boa", "Mangaratiba", "Juazeiro", "No Meu Pé de Serra". e muitas outras. Zé Dantas foi uma outra parceria que deu bons frutos como: "Vozes da Seca", "ABC do Sertão", "Derramaro o Gai", "A Letra I", "A Volta da Aza Branca", "Cintura Fina" "O Xote das Meninas", "Imbalança".

Luiz Gonzaga era chamado de Luiz "Lua" Gonzaga e "Rei do Baião"
.

Mesmo tendo se afastado dos palcos por muitas vezes, Luiz Gonzaga, nunca perdeu o prestígio em todos os anos de carreira. Em 1985 se apresentou em Paris. Ganhou o prêmio Shell de música popular em 1987.

Luiz Gonzaga volta a sua terra natal construiu o museu Gonzagão, lá está o acervo de todos os seus objetos. Gonzagão como era também chamado nunca mais retornou ao Rio de Janeiro ficando lá eternamente.

Sua música ultrapassou barreira com sua sanfona de 120 baixos e vestido com roupa de nordestino à moda de Lampião. Ele foi sem dúvida a representação da
alma do povo do sertão das muié séria e dos home trabalhado.


As imagens do artigo são todas registradas em Creative Commons e são devidamente creditadas em ordem em que elas aparecem neste artigo [1], [2], [3] e [4].

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Quem é Dalva Beltrão?
Artista Plástica de mão cheia e jornalista. Dalva é do samba e faz parte da direção do bloco de carnaval: Bagunça Meu Coreto. Conhecedora de muitas artes e muitas, mas muitas pessoas no universo artístico. Ela chega no Guerrilha Aberta para somar forças e falar sobre o que ela quiser.